segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Comunismo, o bicho de sete cabeças que ninguém entende

É importante salientar que, comunista não come criancinha. Já fui criança, estudei comunismo e conheci comunistas e posso garantir que a afirmação é verdadeira.

A maioria das pessoas não sabe ou então fingem não saber, mas o comunismo na teoria é a melhor forma de governo. Mas antes que alguém torça o nariz ou pare de ler esse texto, eu disse que é na teoria, na prática ele não funciona. E por quê não funciona?

Vamos do começo, primeiro temos que saber o que é socialismo, basicamente, o socialismo prevê uma sociedade igualitária onde todas as pessoas são iguais, têm os mesmos direitos e deveres. E são governadas por uma pessoa que é eleita pelo povo. O comunismo é a evolução desse sistema, deixa de ser governado por uma pessoa e é governado por uma comissão parlamentar eleita pelo povo que governa para o mesmo. No anarquismo a filosofia é a mesma, porém sem passar pelo socialismo, pois eles julgam que o poder sobe a cabeça e corrompe o homem.

Nesse ponto o anarquismo tem razão, já que, no passado, ditadores se aproveitaram do poder que tinham para instaurar um governo opressor e autoritário, fazendo com que a característica do sistema de governo ficasse distorcida.

No comunismo a sociedade não é nivelada por baixo, um gari sem estudos não vai simplesmente ganhar o mesmo que um médico e vice-versa. Na teoria, todos vão estudar, todos vão ter as mesmas chances, mas cada um vai seguir o caminho que melhor contribuirá para com a sociedade. Um não terá mais benefícios ou privilégios que o outro, todos trabalham a mesma quantidade, cada um na sua especialidade, em prol de todos saírem beneficiados. Pensando em “nós” e não “eu”.

O problema, é que na prática isso é quase impossível de acontecer. Cada um é diferente do outro, o ser humano tem por natureza ser diferente. As pessoas buscam coisas diferentes, pessoas diferentes e fazem tudo isso de maneiras diferentes. Desde a pré-história é instinto animal viver em sociedade, onde todos se ajudam, mas também é natural sempre haver um líder que comande e organize as tarefas. Sempre vai haver alguém que trabalhe mais porque almeja objetivos maiores, assim como vai haver quem trabalhe menos, pois tem objetivos menores.

No mundo capitalista que vivemos é quase impossível pensar em comunismo. Estamos todos acostumados a viver em busca do dinheiro e a conviver com a desigualdade social que achamos tudo isso uma grande bobagem.

Certo é ser melhores que os outros, errado é achar que somos iguais.



A tarefa é árdua, mas não iremos desistir facilmente!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Carona

Feriado prolongado era sinônimo de trabalho, eu costumava trabalhar em hotel com recreação. O hotel fica no estado de Minas Gerais, mais precisamente a 4 quilômetros da estrada que liga Passos a Capitólio.

Normalmente para voltar a minha cidade eu pegava o ônibus na beira desta estrada, porém certa vez aconteceu algo inusitado.

Estava eu a beira da estrada esperando o tal ônibus, eram quase 23hs e me fazendo companhia estava um funcionário do hotel que tinha me trazido de carro. Num determinado momento surge o ônibus, fiz sinal e nada dele parar. Pronto, perdi o ônibus! Entrei no carro e fomos atrás do ônibus tentar alcançá-lo, não podia perdê-lo de jeito nenhum. Voltamos à estrada inteira e nada de achar o ônibus. Eu tava ficando desesperado. Até que avistamos ele e logo em seguida, numa cidadezinha ele fez uma parada. Falei com o motorista, mostrei a passagem, mas para minha surpresa. Ele disse que aquele ônibus estava lotado e que o meu era o próximo, foi por isso que ele não parou quando fiz sinal. Fiquei mais desesperado!

O motorista disse que o ônibus passava num outro ponto da estrada e que se fosse logo daria tempo de pegá-lo. Foi o que fiz, novamente no carro, atravessamos a cidadezinha e fiquei a beira de uma estrada em frente a um posto de gasolina. O funcionário voltou com o carro para o hotel.

Vários ônibus passaram por ali, menos o meu. Até que ficou tarde e muito triste percebi que ele não iria passar.

O posto era um típico de beira de estrada, de um lado vários caminhões estacionados, no meio as bombas de combustível e do outro uma pequena lanchonete/restaurante. Logo na entrada havia o balcão da lanchonete, a esquerda um salão escuro e cheio de mesas que durante o dia devia ter almoço. A direita um salão com mesas de sinuca, mas que ninguém ocupava, pois também estava com as luzes apagadas. Sentei numa cadeira, coloquei minha mochila no colo e abracei, estava com sono, mas tinha medo de ser assaltado, o lugar não era dos mais familiares. Dei vários cochilos, sempre que alguém passava por mim eu acordava, também estava no caminho para quem quisesse ir ao banheiro.

Próximo das 5hs, o dia quase clareando, alguns caminhoneiros que dormiam começavam a acordar e a ir até a lanchonete tomar um café para seguirem em frente na viagem. Decidi que era hora de fazer alguma coisa, não podia ficar ali, precisava voltar para casa. Fiquei em pé tentando adivinhar quem poderia me dar uma carona, tinha que pelo menos passar perto de onde eu iria. Puxei conversa com algumas pessoas, até que um dos caminhoneiros disse que iria passar numa cidade que era caminho para mim. Aproveitei e pedi carona. Para minha sorte ele topou, deve ter percebido que eu estava cansado e não tinha muita escolha para sair dali.

Dei muita sorte, o cara era gente boa fomos conversando, até que ele me deixou próximo a uma rodoviária. E as coisas ainda não seriam fáceis. A rodoviária ainda estava fechada, eram 6hs e ela só abria 8hs. Dei outras várias cochiladas num banco duro que tinha lá, estava mais tranquilo o pior já tinha passado, era só esperar o guichê abrir e pegar o próximo ônibus que passaria por ali. Aquela cidade fazia parte do itinerário do ônibus que eu tinha que pegar.

Finalmente consegui trocar, reclamei que o ônibus não parou na estrada e com isso não pude embarcar e que por sorte tinha conseguido vir até aquela cidade para pegar o próximo. Essas coisas aconteciam e já tinha acontecido comigo antes. Foi fácil convencer a moça, afinal não podia contar que acabara sendo minha.

Esperei mais algum tempo, mas tudo já estava resolvido. Estava até conseguindo sorrir com tudo que tinha acontecido, pensando que há poucas horas atrás estava eu perdido, num posto de beira de estrada, com uma mochila e sem ter pra onde ir.