quarta-feira, 30 de março de 2011

Episódio 6: Os brincos de argolas

Beto chegou a casa cambaleando e sem nenhuma sensibilidade no corpo. Deparou-se com o casal feliz que tomava café da manhã, invejou a noite que os dois tiveram e disse a Vivi que ele ainda sentia o sacrifício da noite passada e ela teria que recompensá-lo apresentando alguma amiga bonita.

Sem muito tempo para descansar, Beto, foi logo ao trabalho, o corpo todo dolorido e a lembrança do pavor da noite passada ainda o assustava. Vivi foi embora trabalhar e Pedro voltou à rotina de procurar emprego.

As coisas pareciam estar indo bem para Pedro, conseguiu emprego logo no primeiro lugar que procurou, um pet shop. Ele não tinha a menor experiência com cachorros, nem gostava muito deles, mas imaginou que poderia ter grandes chances. Sua função era dar banho nos gatos e cachorros de todas as raças e tamanhos. Combinou e acertou todos os detalhes, mas como estava quase no final de semana iria começar a trabalhar somente na semana seguinte.

Na segunda-feira, além do inicio de Pedro no novo emprego, as coisas começaram bem para Beto, conheceu uma moça que foi visitar o observatório, ela usava brincos de argolas, característica que deixou ele encantado logo de cara, ela também era muito bonita, cabelos pretos, pele clara e um belo sorriso. Ele não resistiu e a convidou para sair. Eles foram a um restaurante, conhecido na cidade pela variedade de vinhos. O lugar era bastante aconchegante, não era muito iluminado, o ambiente permanecia quase todo na penumbra, o que tornava o lugar bastante romântico. Algumas mesas eram de madeira com bancos de barris, lembrava uma vinícola e o cardápio permitia que o cliente escolhesse vinhos dos mais variados sabores e países.

Era um lugar bastante especial, Beto só levava quem ele achava que merecia. Após um fondue e algumas taças de vinho, começaram a falar de relacionamentos e finalmente entraram no assunto que tanto lhe interessava, os brincos de argola que ela usava. Beto era fascinado por mulheres que usavam brincos de argolas, ele tinha visto, há muito tempo atrás, num desses programas de estudos antropológicos, em que eles faziam uma analogia entre mulheres que usavam brincos de argolas no passado com as mulheres que usavam nos dias atuais. As mulheres, no passado, usavam os brincos quando estavam no período fértil e as atuais que usavam se entregavam mais ao sexo, proporcionando assim sexo com mais qualidade.

Patrícia deu um belo sorriso e começou a mostrar que a teoria de Beto poderia ter um fundo de verdade, dizendo que só haveria uma maneira dele constatar a verdade.

O desfecho da noite não foi muito surpreendente, os dois deitados sobre uma cama redonda, com sorriso na cara, Beto olhando para o espelho do teto e constatando que a sua teoria estava certa. Ao lado dele havia uma mulher sensacional.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Episódio 5: A noite na casa da enfermeira

Beto tinha um pouco de receio em aceitar o convite de Marta, chegou a pensar em desistir e ir dormir num hotel, mas criou coragem e foi conhecer tudo o que aquela enfermeira tinha a oferecer.

Ele tinha conhecido ela no banco, mas soube pelo amigo de um amigo do banco, que Marta era um pouco possessiva, ficava ligando e cobrando para ver todo dia, além de ser um pouco masoquista na cama. Esse último não importava a Beto, era até o que motivava ao sacrifício, já o primeiro preocupava, não queria nenhuma mulher no pé, ligando e nem vê-la todo dia.

Marta era uma moça pacata que trabalhava num hospital e não saía muito de casa. Diziam as más línguas do hospital que por de baixo daquela roupa branca havia uma tarada masoquista. Todos os médicos, enfermeiros, estagiários e até algumas enfermeiras eram loucos para tirar a limpo essa história, mas ela nunca dava chance a ninguém.

Beto sabia da fama de masoquista e deixou que isso o guiasse. Parou em frente à porta do apartamento de Marta, respirou fundo e tocou a campainha.

Ela estava de vestido florido, de alça, decote reto e o comprimento apenas passava o joelho. O cabelo, preto, estava solto e a franja e os óculos deixavam Marta com uma aparência angelical. Aquela cena deixou Beto intrigado, teria seu amigo exagerado ou tudo que ouviu eram boatos, ou existia sim, uma mulher avassaladora disfarçada de boa moça?

O jantar foi preparado especialmente, a comida era a especialidade, escondidinho de carne. Seria, talvez, uma mensagem subliminar a respeito da moça? A enfermeira cozinhava muito bem, ele chegou a ficar mole de tanto que comeu. Sentou no sofá para descansar e fazer a digestão, nem percebeu quando Marta começou a caminhar em sua direção, já com um olhar felino, prestes a dar o bote na presa.

Quando ele percebeu, ela estava em seu colo beijando seu pescoço e arrancando sua camiseta. Sem deixar o susto abalar, ele também retribuiu os beijos e as mãos começaram a percorrer o corpo dela. Marta começou a beijar seu pescoço e deu uma forte mordida na orelha de Beto, sua vontade era tão grande que quase ao mesmo tempo ela apertou com toda a força o “Betinho”. Ele deu um grito que misturava prazer e choro, Beto arregalou os olhos e não conseguia dizer uma palavra, nem respirar ele conseguia, alcançou algumas almoçadas e apertou-as com força, ela, achando que ele estava gostando sorriu e apertou ainda mais forte. Saiu outro grito, esse mais baixo e fino.

Se aproveitando do momento, ela apanhou as algemas escondidas próximas ao sofá e prendeu os braços dele. Em seguida arrancou a bermuda, deixando Beto apenas de cueca. Ele ficou aflito no inicio, mas logo começou a gostar, uma de suas fantasias era ser dominado por uma mulher. Marta o carregou até o quarto, prendeu-o na cama com os braços abertos e vendou seus olhos. Ele estava gostando, só conseguia pensar que seria abusado sexualmente por uma mulher, mas mal sabia Beto, que ela estava com outras intenções.

A enfermeira foi até o banheiro e voltou com alguns objetos. Ela tirou o vestido e deitou sobre o corpo de Beto, começou beijando seu pescoço e descendo até o pé. Pegou um dos objetos que havia trazido do banheiro, uma pinça, começou arrancando os poucos pelos do nariz, do peito e da barriga, só parou quando Beto gritou:

- Para com isso, pelo amor de deus!

Marta deu uma risadinha, tranquilizou com beijinhos e pegou uma vela acesa. Começou a pingar cera no umbigo, nos limites do perigo. Ela não estava a fim de parar. E Beto começou a ficar com medo, ameaçou gritar socorro, mas logo foi calado. Marta pegou um chicote e começou a bater em Beto, dizendo que ele era um menino muito malvado e que merecia apanhar. Ele não estava mais conseguindo ver graça naquilo tudo, começou a se debater e pedir para ser solto. Marta custou a achar que fosse sério, decidiu deixar ele de castigo e foi tomar banho. Quando voltou Beto já estava dormindo, ficou triste, ela ainda pretendia encaixar uns brinquedinhos em alguns orifícios. Mas apenas deitou-se ao lado dele e também dormiu.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Episódio 4: A surpresa

Vivi resolveu preparar uma surpresa para comemorar o novo emprego de Pedro, sua idéia era fazer um jantar com a comida que o namorado mais gostava e depois os dois dormiriam juntinhos. Avisou Beto para dormir fora, este por sua vez, aproveitou um antigo convite de uma amiga que conhecera na fila do banco. Ela morava sozinha e não tinha filhos, era enfermeira e sempre convidava Beto para dormir na casa dela, ele nunca aceitou porque tinha medo que ela atrapalhasse sua boa vida. Porém, atendendo ao pedido da Vivi, resolveu correr o risco.

Pedro não deu muita sorte como motorista, a senhora que ele levava passou a ficar com medo, pois ele tava sempre correndo, chegava atrasado ao trabalho e com isso ela atrasava para os compromissos e ele tentava compensar no trânsito. Mas até que ela agüentou bastante, só o demitiu depois da quinta cabeçada no teto do carro após passar por mais uma lombada em alta velocidade.

Chegou em casa ainda meio triste com mais uma demissão, ao abrir a porta percebeu que havia algo diferente no apartamento, chegou a pensar que tinha errado de porta, mas conferiu e estava no lugar certo. A casa estava arrumada, na sala, alguns móveis estavam em lugares diferentes, a poltrona tinha desaparecido, os puffs estavam paralelos servindo de apoios para duas bandejas, entre eles duas almofadas vermelhas e outra bandeja maior também no chão. Sem entender a situação chamou por Beto, mas o amigo não respondeu, e percebeu que a porta do quarto estava fechada.

Quando começou a se aproximar para tentar entrar no quarto, a porta abriu e de dentro saiu sua namorada, Vivi. Ela vestia uma roupa de gueixa, a maquiagem era apropriada ao figurino e o cabelo estava preso. Pegou ele de surpresa, naquele momento esqueceu a tristeza de ter sido demitido e ficou vislumbrado com tamanha beleza de sua namorada. Aproveitando que ele não sabia o que dizer, Vivi explicou que era uma surpresa, tinha preparado um jantar com comida japonesa para comemorar o novo emprego de Pedro. Ele ficou sem graça de contar a verdade e resolveu aproveitar.

Só depois do jantar ele contou que tinha sido demitido, mas para surpresa dele, ela foi super amorosa e o apoiou, também disse que o amava independente do dinheiro. Para Vivi não importava se ele tinha perdido o emprego, ela era apaixonada e estar com ele bastava. Pedro pensou que isso era tudo que um homem gostaria de ouvir e pediu ela em casamento. Porém, antes que ela aceitasse, prometeu que não seria um marido folgado e que trabalharia para oferecer o melhor para ela e disse que assim que encontrasse um bom emprego e conseguisse juntar dinheiro iriam oficializar a relação e morar juntos.

Quanto ao Beto, semana que vem nós descobrimos o que aconteceu na casa da enfermeira...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Episódio 3: A bebedeira

Já faz uma semana que Pedro trabalha de motorista. Deixou de ser garçom porque derrubou a bandeja na debutante, embora errar é humano, derrubar também, na mãe e no avô foi demais para o gerente, que embora adorasse Pedro, justificou a demissão dizendo que ele era muito atrapalhado.

De manhã, enquanto saía para comprar pão, Pedro abriu a porta e deu de cara com Beto deitado no chão, ele tinha chegado bêbado em casa, tudo girava, não conseguiu ter certeza se o tapete tava de cabeça para baixo ou não, então decidiu esperar do lado de fora e acabou dormindo. Pedro só conseguiu ajudar o amigo uns cinco minutos depois quando parou de rir, comentou com Beto que até um mendigo dorme no chão mais bem ajeitado. A posição dele era típica de um bêbado, sentado com as pernas abertas, as costas apoiadas na parede do corredor e a cabeça solta na frente. Foi difícil acordar ele, tapas e gritos não adiantavam. Somente quando Pedro jogou um balde de água ele acordou e com ajuda foi recolhido para dentro do apartamento enquanto o amigo saiu para comprar o pão para o café.

Voltou da padaria e o amigo estava jogado na cama, não podia ficar cuidando dele, tinha que trabalhar. Pedro era motorista de uma senhora muito rica e sua obrigação era levá-la onde ela quisesse. E pra variar ele estava atrasado.

Beto ficou a manhã inteira deitado na cama, não levantou pra nada, nem pra ir ao banheiro. Acordou só depois do meio dia, com uma dor de cabeça terrível e sem entender como foi parar dentro de casa. A única coisa que ele conseguia lembrar era um dos brindes que ele fez no bar, mas não sabia se era o primeiro ou o último e nem quantos teve.

Levantou ainda sonolento e foi na direção do banheiro, parecia que o corpo estava andando para onde queria, se aproximou do vaso sanitário, ajoelhou e vomitou. Só depois do terceiro vômito a cabeça começou a raciocinar novamente e a se dar conta de que estava de ressaca. Tentou, em vão, se lembrar o que tinha acontecido na noite passada, quanto mais tentava lembrar mais a dor de cabeça aumentava e mais ele vomitava.

Uma hora depois, ainda com dor de cabeça e com um gosto horrível na boca, levantou e foi para a cozinha tomar o café da manhã. Estranhou ter pão, mas adorou comer. Também ficou surpreso com o café ainda quente e tomou num gole só. Deu uma desequilibrada, balançou a cabeça. Funcionou, agora estava realmente acordado. Ficou o dia inteiro assistindo televisão e rezando para a dor de cabeça passar.

Pedro chegou no inicio da noite, já tirando sarro do amigo bodeado no sofá, ele nunca imaginaria que o amigo todo certinho, metódico, estava jogado no sofá e ainda com a roupa que havia chegado na noite passada. Mas nada disso importava para Beto, na verdade o que deixou com raiva foi saber que Pedro dormiu sozinho em casa, sua namorada Vivi ia trabalhar cedo no dia seguinte e não dormiu lá.