quarta-feira, 2 de março de 2011

Episódio 3: A bebedeira

Já faz uma semana que Pedro trabalha de motorista. Deixou de ser garçom porque derrubou a bandeja na debutante, embora errar é humano, derrubar também, na mãe e no avô foi demais para o gerente, que embora adorasse Pedro, justificou a demissão dizendo que ele era muito atrapalhado.

De manhã, enquanto saía para comprar pão, Pedro abriu a porta e deu de cara com Beto deitado no chão, ele tinha chegado bêbado em casa, tudo girava, não conseguiu ter certeza se o tapete tava de cabeça para baixo ou não, então decidiu esperar do lado de fora e acabou dormindo. Pedro só conseguiu ajudar o amigo uns cinco minutos depois quando parou de rir, comentou com Beto que até um mendigo dorme no chão mais bem ajeitado. A posição dele era típica de um bêbado, sentado com as pernas abertas, as costas apoiadas na parede do corredor e a cabeça solta na frente. Foi difícil acordar ele, tapas e gritos não adiantavam. Somente quando Pedro jogou um balde de água ele acordou e com ajuda foi recolhido para dentro do apartamento enquanto o amigo saiu para comprar o pão para o café.

Voltou da padaria e o amigo estava jogado na cama, não podia ficar cuidando dele, tinha que trabalhar. Pedro era motorista de uma senhora muito rica e sua obrigação era levá-la onde ela quisesse. E pra variar ele estava atrasado.

Beto ficou a manhã inteira deitado na cama, não levantou pra nada, nem pra ir ao banheiro. Acordou só depois do meio dia, com uma dor de cabeça terrível e sem entender como foi parar dentro de casa. A única coisa que ele conseguia lembrar era um dos brindes que ele fez no bar, mas não sabia se era o primeiro ou o último e nem quantos teve.

Levantou ainda sonolento e foi na direção do banheiro, parecia que o corpo estava andando para onde queria, se aproximou do vaso sanitário, ajoelhou e vomitou. Só depois do terceiro vômito a cabeça começou a raciocinar novamente e a se dar conta de que estava de ressaca. Tentou, em vão, se lembrar o que tinha acontecido na noite passada, quanto mais tentava lembrar mais a dor de cabeça aumentava e mais ele vomitava.

Uma hora depois, ainda com dor de cabeça e com um gosto horrível na boca, levantou e foi para a cozinha tomar o café da manhã. Estranhou ter pão, mas adorou comer. Também ficou surpreso com o café ainda quente e tomou num gole só. Deu uma desequilibrada, balançou a cabeça. Funcionou, agora estava realmente acordado. Ficou o dia inteiro assistindo televisão e rezando para a dor de cabeça passar.

Pedro chegou no inicio da noite, já tirando sarro do amigo bodeado no sofá, ele nunca imaginaria que o amigo todo certinho, metódico, estava jogado no sofá e ainda com a roupa que havia chegado na noite passada. Mas nada disso importava para Beto, na verdade o que deixou com raiva foi saber que Pedro dormiu sozinho em casa, sua namorada Vivi ia trabalhar cedo no dia seguinte e não dormiu lá.

2 comentários:

  1. virginianascimentoatriz2 de março de 2011 às 23:47

    Nossaaaaaaaaaaaaa, ri muito c a bebedeira do Beto!!! Muito bom...

    ResponderExcluir
  2. Tô gostando. Precisa apimentar a estória.
    CEL

    ResponderExcluir