O novo trabalho de Pedro não é muito promissor, mas pode lhe render algum dinheiro se trabalhar direito. Conseguiu emprego fixo de garçom num Buffet de festas. Beto arranjou emprego no observatório da cidade, mas não era exatamente o que ele gostaria. Os pulos, a vibração e o beijo na bochecha de Pedro quando ligaram avisando da entrevista se tornaram quase choro quando saiu da sala de reunião do observatório. Sua função era recepcionar os visitantes e fazer um passeio pelo local mostrando tudo que o observatório tinha de bom. O que Beto mais detestou foi descobrir que trabalharia quase todo dia com crianças, ele gostava de fazer cálculos e observar as estrelas, mas detestava crianças. O conforto era saber que o salário compensava.
Vivi tentava exercer a função de dona da casa, isso deixava Beto bastante irritado, pois toda vez que chegava encontrava os poucos móveis dispostos diferentes ao que ele tinha deixado. Pedro se quer arrumava a cama, como dormia em baixo, amontoava suas coisas num canto do armário e guardava a cama. Seu amigo deixava o lençol lisinho, exatos cinco minutos após levantar, quem vice a cama não diria que alguém dormiu há pouco. Mas Vivi fazia questão de deixar a sua marca, deixava a poltrona entre os dois puffs, Beto gostava que um dos dois ficasse na frente para apoiar os pés. Eles não chegavam a discutir, mas logo que chegava em casa, Beto fazia cara de bravo e sutilmente arrumava do jeito dele.
No dia seguinte Pedro ficou muito irritado com Beto, chegou cansado do Buffet e o amigo estava tomando banho de porta aberta. O que mais preocupou não foi avistar aquela cena bizarra do Beto de costas para a porta lavando o pé, mas de pensar que poderia ser a Vivi que veria aquilo. Ela tinha a chave da porta e poderia ter entrado em casa a qualquer hora. Beto não deu muita importância, estava em seu apartamento e não gostava da idéia dela ter a chave.
Mas nesse dia eles perceberam uma coisa, precisavam de um código para saber quando o outro não poderia entrar em casa. O código ia ser o tapete, se estivesse de cabeça para baixo era porque tinha mulher na casa e corria o risco de não estarem vestidos. Para entrar em casa tinha que esperar o tapete ficar normal, ou se fosse urgência era por mensagem de texto que deveria avisar e o outro tinha meia hora para deixar as coisas arrumadas.
Pedro adorava o emprego e dizia que iria se dedicar para conseguir permanecer nele e juntar dinheiro para casar com Vivi. Já Beto tava detestando o novo emprego, reclamava das crianças chatas que queriam mexer em tudo e faziam bagunça por todo o observatório. A única coisa que compensava eram as professoras, embora ele reclamasse ao amigo que elas não tinham controle sobre as crianças, ele sempre as convidava para sair e mentia dizendo que adorava criança e que seu sonho era ser pai. Ele se sentia orgulhoso ao convencê-las. Primeiro levava num restaurante para conversar e depois sempre acabava do mesmo jeito ou como ele costumava dizer:
- No final, é tapete de cabeça pra baixo.
Hummm interessante...
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