quarta-feira, 6 de abril de 2011

Episódio 7: A visita das mães

Dona Maria mãe de Pedro e Dona Cida mãe de Beto, decidem fazer uma visitinha ao apartamento dos filhos. Elas não conheciam, estavam todo esse tempo apostando o dia que eles desistiriam dessa idéia maluca de sair da barra da saia delas. Porém passaram dias, meses, as duas cansaram de apostar e decidiram averiguar o que acontecia com seus meninos.

De cara acharam vários defeitos, criticaram tudo, a sala tava bagunçada, o banheiro tava sujo, a cozinha estava uma zona e no quarto elas mal conseguiram entrar. Não tinha cabimento dividirem o mesmo quarto, sendo que cada um tinha o seu em suas casas.

A espalhafatosa Dona Maria era a mais indignada, era impossível aceitar que o filho criado com tanto amor e carinho dormisse na cama de baixo. Ela nasceu na Bahia, veio para a cidade adolescente, mas carregava no sangue a garra da mulher e mãe baiana. Ela era típica baiana arretada, autoritária com os filhos e o marido, mas ai de quem falasse mal de um deles. Ela literalmente “rodava a baiana”. A educação dada ao filho era bem simples:

- Venha meu filho, acompanhe sua mãe se não te deixo pra trás.

Tadinho do Pedro, sempre ficava pra trás. Porém, completamente diferente era Dona Cida, essa era daquelas mães de antigamente, ia à missa todo domingo, tímida, conservadora, falava baixinho e tinha cara de senhora, uma típica professora de história e que tratava seu filho como se ele tivesse 2 anos. Só não dava comida na boca e banho porque ele não deixava.

Uma coisa as duas tinham em comum, o amor pelos seus filhos, cada uma fez questão de preparar a comida preferida deles, demoraram bastante, já que só uma podia ficar dentro da cozinha, o revezamento era cronometrado para que a comida não queimasse e nem saísse do ponto. Mas depois de todo trabalho o almoço foi servido com todo amor e carinho.

Durante o almoço iniciou-se mais uma tentativa de convencer os filhos a voltarem para suas casas. Dona Cida começou a argumentação com seu discurso carinhoso que quase convenceu Beto e que o fez chorar. Já Dona Maria, disse logo para Pedro voltar para casa e que o lugar dele era perto de sua mãe.

Embora a comidinha das mamães tivesse balançado e dado saudades da vida boa e da mordomia, os dois sem titubear foram enfáticos, queriam continuar onde estavam, era difícil, era trabalhoso, mas se orgulhavam de estarem crescendo como homens e criando responsabilidades que não teriam adquirido se ainda morassem com suas mães.

As duas quase choraram orgulhosas dos filhos, perceberam que aqueles menininhos tinham crescidos, tinham se tornado homens e que saíram definitivamente da “barra da saia” delas. Foram embora, tristes por não terem mais seus filhos perto delas, mas orgulhosas pelo bom trabalho que fizeram na criação deles.

Elas sabiam que depois que cresce o filho vira passarinho e quer voar.

Um comentário:

  1. É os passarinhos saem dos ninhos, mas sempre lembram daquele refúgio e do bom tempo que estiveram por lá...

    ResponderExcluir